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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Google Cloud quer dobrar infraestrutura no Brasil até 2030

A Google Cloud, braço de computação em nuvem da Google, revelou que irá dobrar sua infraestrutura técnica no Brasil até 2030 para escalar a capacidade local de processamento, armazenamento e computação de alto desempenho para IA.

Hoje, a região de nuvem da Google Cloud no Brasil se concentra na Região Metropolitana de São Paulo, com três zonas de disponibilidade independentes, ou seja, data centers fisicamente isolados entre si, com infraestrutura própria de energia, refrigeração e segurança física para garantir tolerância a falhas.

Essa configuração apoia serviços de IaaS, PaaS, análise de dados e inteligência artificial.

A companhia possui pontos de presença de rede de borda em São Paulo e no Rio de Janeiro, responsáveis por conectar provedores de internet locais diretamente à sua rede privada global.

Através do Google Cloud Interconnect, essa vertical oferece conexões dedicadas e privadas de até 10 Gbps ou 100 Gbps por circuito.

O Brasil é o principal hub de conectividade da empresa na América do Sul, interligado por quatro cabos submarinos proprietários ou em consórcio, passando por Praia Grande, Fortaleza, Santos e Rio de Janeiro nacionalmente.

De acordo com a Exame, o anúncio de expansão se traduz em três frentes.

A primeira diz respeito à versão web do Gemini Enterprise, plataforma corporativa de agentes de IA da empresa, que a partir de 15 de outubro começará a processar dados de clientes que usam o modelo Gemini 3.5 Flash no país.

O recurso irá atender requisitos de disponibilidade, recuperação de desastres, baixa latência e soberania de dados para empresas brasileiras.

Essa novidade se soma ao armazenamento local já existente para fluxos de trabalho de agentes e busca atender exigências regulatórias e de soberania de dados nacionais.

O segundo eixo é o de hardware, com máquinas virtuais equipadas com GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition já disponíveis na região de nuvem de São Paulo. O equipamento será dedicado a cargas de trabalho de inferência pesada e em tempo real.

A última vertente são os cabos submarinos, outra grande prioridade para a big tech ao lado dos data centers. Historicamente, a companhia tem concentrado seus investimentos em cabos que ligam o Brasil aos Estados Unidos através de São Paulo.

Segundo Eduardo López, presidente da Google Cloud para a América Latina, a localização dos data centers da Google costuma seguir a rota dos cabos submarinos da empresa, e não o contrário.

Com clientes em mais de 200 países, a Google Cloud oferece infraestrutura de IA, modelos como o Gemini, recursos de gerenciamento de dados, soluções de segurança multi-cloud, ferramentas e plataformas para desenvolvedores, além de agentes e aplicativos.

Hoje, a companhia opera 30 data centers ativos em 11 países, além de outras unidades em fase de construção.

A maior concentração está na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, seguida pela Europa, com unidades em países como Irlanda, Holanda, Alemanha, Finlândia e Bélgica, e pela Ásia, com data centers no Japão, em Taiwan e em Cingapura.

Na América do Sul, a companhia opera apenas duas unidades: uma no Uruguai, em Canelones, e outra no Chile, em Quilicura, perto de Santiago.

Antes considerado o patinho feio do mercado cloud, sempre correndo atrás da líder AWS e da vice Microsoft, a provedora é agora o motor de crescimento da Alphabet e colaboradora significativa para o negócio geral da empresa, representando 21% das receitas e 22% do lucro operacional.

No segundo trimestre deste ano, a divisão de computação em nuvem subiu nada menos que 82% na comparação ano a ano, atingindo US$ 24,8 bilhões. O lucro operacional da Google Cloud mais que triplicou no mesmo período, passando de US$ 2,8 bilhões para US$ 8,8 bilhões.

A América Latina é hoje a segunda região que mais cresce para a companhia no mundo, com o Brasil como o país mais importante dentro dela. A empresa planeja treinar 3 milhões de brasileiros em tecnologias de nuvem e IA, em parceria com 140 universidades no país.

Fonte: BAGUETE

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