Exposição na Bélgica alerta sobre perigos de produtos falsificados

Uma reluzente Ferrari vermelha, frascos de pimenta Tabasco e tubos de pasta de dente compartilham o hall de entrada de um luxuoso hotel no centro de Bruxelas em uma curiosa exposição que pretende alertar os consumidores sobre os perigos dos produtos falsificados. Promovida pela organização não-governamental britânica Authentics Foundation, a mostra "Fakes Cost More" ("Falsificados Custam Mais", em tradução livre) chama a atenção para o fato de que os prejuízos causados pela falsificação não são apenas financeiros. "Entre os custos escondidos estão (o incentivo ao) crime organizado, trabalho infantil, terrorismo e sérios riscos à saúde humana. E quando se trata de um carro ou um remédio falso, o que está em perigo são vidas humanas", afirmou o presidente da ONG, Timothy Trainer. Durante a abertura da exposição, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, ressaltou que "a variedade de produtos falsificados vem aumentando significativamente", e citou como exemplo brinquedos, comidas, produtos eletrônicos, remédios e até peças de aviões. "Pensem um momento sobre este último exemplo, principalmente quem veio até aqui em um avião", disse Barroso. Segurança Segundo Frederick Mostert, diretor da Authentics Foundation, "absolutamente tudo o que o ser humano pode produzir é falsificado hoje em dia". "Já vimos implantes cirúrgicos, muito Viagra, vodka, pastilhas de freio para automóveis e carros inteiros, como a Ferrari da exposição, que eu encontrei na Tailândia", disse. Trata-se de uma cópia idêntica do modelo P4, do qual apenas três exemplares foram produzidos pela companhia italiana, em 1967, só que neste caso feito na Tailândia, com um motor Subaru. "Primeiro você dá risada vendo o que podem chegar a inventar. Foi o que eu fiz quando vi a Ferrari. Mas depois você começa a pensar e se dá conta de que as conseqüências que isso pode ter são muito sérias", observou. Mostert afirma que 80% de todos os medicamentos vendidos na Nigéria são falsificados. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 2.500 pessoas morreram no país em 1995 depois de utilizarem vacinas falsificadas durante uma epidemia de meningite. No mesmo ano, 89 pessoas morreram no Haiti por tomar um xarope para tosse falso, fabricado com uma substância química utilizada em automóveis. "Um preservativo falsificado que não funciona pode levar muita gente a contrair HIV", explicou o diretor da ONG. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) calcula que 7% de todo comércio mundial envolvem produtos falsificados, um volume que movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano.

Fonte: UOL

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